Há uma pergunta que me fazem muitas vezes.
"Nadine... qual é a ilha mais bonita de Cabo Verde?"
E eu rio sempre.
Porque essa pergunta é uma armadilha. Sabes porquê?
Porque qualquer resposta que eu dê vai deixar alguém chateado.
Quem é de São Vicente vai dizer que é São Vicente.
Quem é do Sal vai jurar que não existe praia igual.
Quem é de Santo Antão vai mostrar fotografias de montanhas de cortar a respiração.
E, sinceramente? Todos têm um bocadinho de razão.
Mas a verdade é que... para mim, a coisa mais bonita de Cabo Verde nunca aparece nas fotografias.

É estranho explicar isto, porque fotografias conseguem mostrar praias, montanhas, mar, casas coloridas, pôr do sol…
Mas existe uma coisa que nenhuma câmara consegue captar. A sensação.
Sabes aquela sensação de saíres do aeroporto e, mesmo antes de veres o mar, pensares:
"Cheguei."
Quem vive na diáspora sabe exatamente do que estou a falar, é quase impossível explicar.
Mas basta sentir aquele calor diferente, ouvir o crioulo, sentir o cheiro do mar misturado com o da terra…e qualquer distância desaparece.
É como se o coração dissesse:
"Finalmente..."
"Há lugares que visitamos. E há lugares onde uma parte de nós decide ficar para sempre."
Há dias estava a conversar com um cliente que vive em Portugal há muitos anos. No fim da visita ao apartamento, ele ficou parado na varanda.
Olhou para o mar, respirou fundo.
E disse apenas:
"Esqueci-me de como o céu daqui é bonito."
Confesso-te uma coisa, aquela frase ficou comigo.
Porque, às vezes, quem vive aqui todos os dias deixa de reparar nessas pequenas coisas.
Estamos tão ocupados, tão preocupados, tão focados na rotina...
...que esquecemos o privilégio que temos.
Depois chega alguém de fora, olha à volta como se estivesse num postal e lembra-nos daquilo que já fazia parte da paisagem.

Sabes o que mais gosto em Cabo Verde? Não são as praias, nem o clima, nem o mar…é a forma como as pessoas vivem. Aqui ainda existe tempo.
Tempo para conversar, para cumprimentar, para perguntar pela família, tempo para sentar numa esplanada sem olhar constantemente para o relógio.
E acredita...hoje isso é um luxo.
Vivemos num mundo onde toda a gente corre.
Cabo Verde lembra-nos que, às vezes...
Vale a pena caminhar devagar.
Há uma cena que adoro observar. Quando alguém visita Cabo Verde pela primeira vez, nos primeiros dias querem fazer tudo. Conhecer todas as praias, todos os restaurantes, todas as ilhas.
Depois...o terceiro ou quarto dia acontece uma coisa curiosa…abranda.
Já não sente necessidade de correr, começa simplesmente a viver. Acho que esse é o verdadeiro encanto deste país, não nos obriga a ser diferentes.
Lembra-nos apenas de quem somos.

Sabes outra coisa que adoro? As histórias.
Em Cabo Verde toda a gente tem uma história para contar. O senhor que vende peixe.
A senhora que faz cachupa, o taxista, o dono do café.
Se lhes deres cinco minutos...ganham-te o dia. E talvez seja isso que faz este país tão especial.
Não são apenas as paisagens…são as pessoas.
Há dias pensei numa frase, escrevi-a no telemóvel para não me esquecer.
Dizia assim:
"Talvez o verdadeiro luxo seja viver num lugar onde ainda sabemos o nome dos nossos vizinhos."
Fiquei a olhar para ela durante algum tempo e pensei...é exatamente isso.
Hoje o mundo vende condomínios de luxo, piscinas, ginásios, Spas e tudo isso é maravilhoso.
Mas sabes o que continua a valer mais? Sentirmo-nos em casa.
E Cabo Verde tem essa capacidade rara, faz-nos sentir em casa...mesmo quando acabámos de chegar.

Às vezes perguntam-me:
"Nadine... porque gostas tanto de mostrar Cabo Verde?"
A resposta é simples. Porque antes de vender qualquer apartamento...eu quero que as pessoas se apaixonem pelo país. Porque quando isso acontece o resto vem naturalmente.
A casa, o investimento, o regresso…tudo começa com um sentimento.
E talvez seja por isso que nunca consigo falar de imobiliário sem antes falar de Cabo Verde.
No fundo...as casas são importantes, mas é o país que lhes dá alma.
☕ Obrigada por tomares este café comigo.
Da próxima vez quero contar-te uma história sobre uma pergunta que faço a todos os meus clientes...
...e que quase ninguém consegue responder de imediato.
Até domingo.
Com carinho,
Nadine Fortes 🤍